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Ensino a distância cresce 474% em uma dĂ©cada, diz Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais AnĂ­sio Teixeira (Inep)

Entre 2011 e 2021, o nĂșmero de estudantes em cursos superiores de graduação, na modalidade de educação a distância (EaD), aumentou 474%. No mesmo perĂ­odo, a quantidade de estudantes que ingressaram em cursos presenciais diminuiu 23,4%. Se, em 2011, os ingressos por meio de EaD correspondiam a 18,4% do total, em 2021 esse percentual chegou a 62,8%

Por Redação Agência Brasil em 04/11/2022 às 17:39:45

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Entre 2011 e 2021, o nĂșmero de estudantes em cursos superiores de graduação, na modalidade de educação a distância (EaD), aumentou 474%. No mesmo perĂ­odo, a quantidade de estudantes que ingressaram em cursos presenciais diminuiu 23,4%. Se, em 2011, os ingressos por meio de EaD correspondiam a 18,4% do total, em 2021 esse percentual chegou a 62,8%.

Os dados, que refletem a expansão do ensino a distância no Brasil, fazem parte dos resultados do Censo da Educação Superior 2021, divulgados hoje (4) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais AnĂ­sio Teixeira (Inep) e pelo Ministério da Educação (MEC).

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Segundo o Inep, que coordena o levantamento dos dados, de 2020 a 2021, o aumento de estudantes nos cursos superiores foi ocasionado, exclusivamente, pela oferta de EaD na rede privada. Nesse perĂ­odo, a modalidade teve um acréscimo de 23,3% (24,2% em instituições privadas), enquanto o ingresso em graduações presenciais caiu 16,5%. Na rede privada, 70,5% dos estudantes, em 2021, ingressaram por meio de cursos remotos.

"O comparativo confirma a tendĂȘncia de crescimento do ensino a distância ao longo do tempo. Em 2019, pela primeira vez na história, o nĂșmero de ingressantes em EaD ultrapassou o de estudantes que iniciaram a graduação presencial, no caso das instituições privadas", explicou o Inep.

Crescimento

O diretor da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, Vandir Cassiano, disse que de 2017 para cĂĄ esse crescimento foi mais expressivo e, diante do cenĂĄrio da pandemia da covid-19, os nĂșmeros da EaD alavancaram.

"Em 2020, 2021 e, agora, 2022, temos um crescimento absurdo, é algo jĂĄ sedimentado, é um caminho sem volta", disse, alertando para a necessidade de avaliação da qualidade desse ensino.

"Estamos vendo isso [qualidade] com muito cuidado, porque temos instituições que anunciam curso de EaD no valor de R$ 59,90, uma mensalidade muito baixa. Até que ponto esse curso oferece uma formação adequada para o mercado de trabalho e que venha a fazer parte do contexto social e econômico do paĂ­s? A secretaria estĂĄ com um trabalho de verificação desses polos de EaD, para fazer o tratamento desses polos autorizados", explicou.

O censo de 2021 registrou 2.574 instituições de educação superior. Dessas, 2.261 (87,68%) eram privadas e 313 (12,2%), pĂșblicas. Nesse contexto, a rede privada ofertou 96,4% das vagas. JĂĄ a rede pĂșblica foi responsĂĄvel por 3,6% das ofertas.

O nĂșmero de matrĂ­culas também seguiu a tendĂȘncia de crescimento dos Ășltimos anos e chegou a 8.987.120. As instituições privadas concentraram 76,9% dos matriculados e as pĂșblicas registraram 23,1%. Entre 2011 e 2021, o percentual de estudantes matriculados na educação superior aumentou 32,8%, o que corresponde a uma média de 2,9% ao ano.

Segundo o Inep, na relação entre matrĂ­cula e modalidade de ensino, a expansão da EaD ficou, mais uma vez, evidenciada. Em 2021, foram mais de 3,7 milhões de matriculados em cursos a distância. O nĂșmero representa 41,4% do total. Na série histórica destacada pela pesquisa (2011 a 2021), o percentual de matriculados em EaD aumentou 274,3%, enquanto, nos presenciais, houve queda de 8,3%.

Licenciatura

Um olhar na relação de ingressos em cursos de graduação a distância e presenciais, nos cursos de licenciatura houve uma queda de 12,8% de 2020 a 2021 na modalidade presencial. Dos estudantes matriculados em cursos de licenciatura, 61% frequentam curso à distância. Em relação ao nĂșmero de ingressantes, 77% dos estudantes em licenciatura optaram por cursos EaD.

O presidente do Inep, Carlos Moreno, disse que os resultados do censo apontam, de forma concreta, para qual direção caminha a educação superior brasileira e demandam reflexões sobre modelos e polĂ­ticas educacionais.

"O futuro professor, que vai atuar na educação bĂĄsica no Brasil, ele vai ter passado por uma formação à distância. Então, esse é um ponto muito importante para que se analise a adequação dessa estratégia [de avanço dessa modalidade de ensino]", alertou.

Na avaliação de Moreno, no caso da formação de docentes, a modalidade a distância pode ser muito eficiente quando o profissional jĂĄ teve a formação inicial e adquiriu experiĂȘncia na prĂĄtica pedagógica. Para ele, entretanto, hĂĄ aspectos positivos na expansão da EaD, como o aumento no nĂșmero de alunos em cursos de graduação e a possibilidade de educação superior ser cursada em todo o território nacional "desde que seja de qualidade".

De 2020 a 2021, houve uma redução de 4 pontos percentuais na demanda por cursos de formação de professores, de 19% para 15% das vagas. Dos 3.922.897 estudantes que ingressaram no ensino superior em 2021, 55% preferiram bacharelado, 30% cursos tecnológicos e 15% licenciatura. Na rede federal de ensino, a média é maior, 26% dos estudantes frequentam cursos de licenciatura.

Das 1.648.328 matrĂ­culas nos cursos de licenciatura em 2021, 35,6% foram registradas em instituições pĂșblicas e 64,4%, em privadas. Mais de 80% dos estudantes de licenciatura de instituições pĂșblicas frequentam cursos presenciais. Na rede privada, prevalece os cursos a distância, com quase 85% dos alunos.

Dentre os cursos de licenciatura, prevalece o curso de Pedagogia com quase a metade dos alunos matriculados (47,8%) ou quase 800 mil alunos.

Professores

De acordo com o secretĂĄrio de Educação BĂĄsica do MEC, Mauro Rabelo, estudo recente aponta para uma falta de professores para atuar na educação bĂĄsica a partir de 2040. "Vamos estabelecer novas metas para o Plano Nacional de Educação, as atuais se encerram em 2024, temos uma ConferĂȘncia Nacional de Educação em andamento, que vai dar subsĂ­dio para isso. Os dados do censo, então, são de uma riqueza tremenda, é a nossa base cientĂ­fica governamental, do Estado brasileiro, para tomada de decisão futura", disse.

O objetivo do Censo da Educação Superior é oferecer informações detalhadas sobre a situação e as tendĂȘncias da educação superior brasileira, assim como guiar as polĂ­ticas pĂșblicas do setor. Após a divulgação, as informações passam a figurar como dados oficiais do nĂ­vel educacional.

Além de subsidiar a formulação, o monitoramento e a avaliação de polĂ­ticas pĂșblicas da educação superior, o censo contribui para o cĂĄlculo de indicadores de qualidade, como o Conceito Preliminar de Curso (CPC) e o Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição (IGC).

Os resultados da pesquisa de 2021 estão disponĂ­veis no site do Inep.

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Fonte: AgĂȘncia Brasil

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