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Insônia pode ser sintoma de depressão, diz estudo in√©dito feito por pesquisadores do Instituto do Sono

Um estudo in√©dito feito por pesquisadores do Instituto do Sono revelou que a insônia não √© apenas um sintoma secund√°rio da depressão, mas parte integrante da doença mental.

Por Redação Agência Brasil em 11/06/2024 às 18:48:41

Um estudo inédito feito por pesquisadores do Instituto do Sono revelou que a insônia não é apenas um sintoma secund√°rio da depressão, mas parte integrante da doença mental. A conclusão veio depois de os pesquisadores examinarem a relação entre o risco genético para problemas de sono e sintomas de depressão em uma amostra do Estudo Epidemiológico do Sono de São Paulo, com pessoas entre 20 e 80 anos.

Os participantes foram submetidos a avaliação cl√≠nica, polissonografia noturna completa e responderam a um conjunto de question√°rios sobre sono. Houve também coleta de amostras de sangue para extração de DNA e genotipagem dos volunt√°rios, com o objetivo de calcular o risco genético dessas pessoas para problemas de sono e sintomas depressivos. Os resultados do estudo foram apresentados no Sleep 2024, durante a 38¬™ Reunião Anual das Sociedades Profissionais Associadas de Sono, no in√≠cio de junho, nos Estados Unidos.

"A privação de sono de forma pontual não potencializa o desenvolvimento da depressão, mas a insônia, como um problema de sono crônico, sim. J√° foi descrito que, em pessoas com sintomas depressivos graves, o fato de ter insônia estava relacionado com a falta de resposta aos tratamentos para depressão. Também j√° foi provado que pessoas com insônia correm mais risco de ter depressão no futuro", disse uma das respons√°veis pelo estudo, a pesquisadora Mariana Moysés Oliveira.

Segundo Mariana, as descobertas são inéditas. A insônia e os sintomas depressivos partem de origens genéticas muito parecidas e, por isso, os problemas de sono não podem ser tratados como algo secund√°rio em pessoas com depressão, j√° que est√° demonstrado que são parte central da doença. Para chegar ao resultado, foi aplicado um modelo estat√≠stico, chamado escore polig√™nico, que permite prever o risco para doenças complexas ao considerar milhares de variantes genéticas, o que permitiu estabelecer essa interrelação.

"A an√°lise foi baseada em estudos de associação do genoma completo para depressão e insônia. Os resultados indicam que os escores polig√™nicos foram eficazes em alocar os indiv√≠duos em grupos de alto e baixo risco para problemas de sono e depressão. Pessoas com m√° qualidade de sono tendiam a apresentar sintomas depressivos mais graves. Quanto maior o risco genético para queixas de sono, aumentava o risco genético para sintomas depressivos. Os genes que contribu√≠ram para os escores polig√™nicos se sobrepuseram, indicando uma correlação genética forte entre essas condições", destacou Mariana.

De acordo com Mariana, os resultados podem ser √ļteis para a sa√ļde p√ļblica, pois, por meio deles, é poss√≠vel estabelecer pol√≠ticas que promovam a identificação precoce e o tratamento integrado podem ser mais eficazes na redução da carga dessas condições na sociedade.

"Acredito que as pesquisas podem levar a novos protocolos cl√≠nicos que abordem de forma integrada a sa√ļde mental e a qualidade de sono, abrindo caminhos para a pesquisa cient√≠fica e permitindo uma compreensão mais profunda das causas desses problemas de sa√ļde. Além disso, usar dados genéticos para prever a predisposição permite identificar pessoas em risco antes mesmo que os sintomas se manifestem", afirmou a pesquisadora.

Segundo a pesquisadora, a as doenças se manifestam geralmente por fatores genéticos, que não mudam desde a concepção, e ambientais aos quais as pessoas são expostas ao longo da vida. A pesquisa conseguiu calcular os riscos genéticos para prever os riscos maiores ou menores para o desenvolvimento de uma doença. "Para doenças comuns, não conseguimos atribuir um √ļnico gene. Não existe o gene da depressão, da insônia ou do câncer. O risco genético é determinado por diversas, muitas vezes milhares de variações genéticas. Apenas quando avaliamos o conjunto dessas variações genéticas podemos calcular o risco genético", salientou Mariana.

De acordo com a respons√°vel pelo estudo, com uma amostra epidemiológica é poss√≠vel identificar variações genéticas que podem ser usados como biomarcadores de risco e, entendendo as conexões genéticas, é poss√≠vel desenvolver tratamentos que atacam as causas das doenças, não apenas os sintomas, reduzindo a chance de reca√≠das.



Fonte: Agência Brasil

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